sexta-feira, 3 de novembro de 2017

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Gritos de socorro de uma escola pública ll

Estou cansada
Das crianças medicadas
Zumbies pelas salas
Estou cansada
Do meu trabalho ser piada
Pela minhas costas ser zombada
Das aulas mal dadas
Das crianças sufocadas
Em salas apagadas
Estou cansada dos patios largados
Das quadras quebradas
Das meninas dopadas
E das violadas
Estou cansada da falta de verba
Da verba desviada
Da merenda empapada
Da criança ser piada
Do Conselho ser piada
Estou cansada da prova mal elaborada
Estou cansada das atas arranhadas
Estou cansada
Estou cansada
Estou cansada
Estou cansada dos banheiros sujos
Da pessoa mal amada
Da criança mal educada
Estou cansada da escola suja
Da escola depredada
Da funcionaria despreparada
Estou cansada da mãe mal humorada
Estou cansada de ser medicada
Pra aguentar mais uma jornada
De ser ameaçada
De ser agredida, amaldiçoada
Estou cansada
Da escola desestruturada
Arrombada
Estou cansada
Da sociedade apática
Da falsa simpática
Estou cansada de cada reunião
Estou cansada de não ter opinião
Estou cansada
Largada
Abandonada
Sucateada
Estou cansada da falta de material
Estou cansada da falta de pessoal
Da sala sem aula
Da aula "vaga"
Estou cansada, esgotada
Estou cansada de trabalhar sem condições
Estou cansada de passar a noite sem dormir, lembrando a semana passada
Estou cansada de ter medo de mais um dia de aula
Estou cansada pela educação abandonada
De ficar pensando de madrugada
Nos problemas sem solução
De ter a alma pesada
O corpo doído
Estou cansada
Estou cansada
Muito cansada

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Marcas do tempo

Estou  só
Neste espelho de linhas
que chamam de vida
Já tenho o veredicto
Não sou mais uma menina
Mesmo com a reação opaca
que a tintura de meus cabelos
dissimulou
Estou inerte
Nesta estrada confusa
que tentei enganar
Já tenho uma história
Trilho de fase madura
Mesmo com negação assustada
Que as batidas do meu coração
desmentiram
Estou abalada
Nesta sentença
de não ser quem eu sou.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Dei adeus

Perco tudo menos a razão
Inexatos contatos
Rabiscos de ofícios
Quem usa o lápis
Nunca sente solidão
Meu poema teu desenho
Teu retrato meu espelho
Longa espera, madrugada
Vida insana, obra desvairada
Um dardo, uma flecha
Meu timbre, minha audácia
Deixei a mão, dei adeus
Ideologia de falácia
Busquei somente a paz
Pisei em solo real
Vida eterna
Briga entre o bem e o mal
Não olhei pra trás
Ignorei o retrovisor
Eu tinha o controle
Só eu mesma, não tenho mais.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Meu oráculo

Passos de bebê
Levam pra frente devagar
Cada dia de uma vez
O importante é não parar

O mundo inteiro está à frente
O céu pode esperar
Se tiver os pés no chão
Pode voltar a sonhar

O peso da vida dói o corpo
Mochila pesada da alma
Um dia o amor virá
Apenas tenha calma

Esqueça o que passou
Lembre com carinho
Quem já foi
Pra frente é o caminho

Batalhe pelo que quer
Sem esquecer que apenas
O que construir
É o que verdadeiramente vai ter

Calma nos anseios
Força nas pequenas batalhas
A justiça tarda
Mas nunca falha

Cante sempre que puder
A vida pode ser boa
Para todos que sabem viver

Nem direita nem esquerda
Nem água nem fogo
O meio escolha com alegria
O caminho da sabedoria

Não discuta com tolos
Ame quem te ama
Cada um tem sua vida
Que seja bem vivida

A alma deve ser livre
O corpo regrado
Não misture fantasias
Com Deus que é sagrado

Respeite cada vivente
E a vida de cada qual
Fora da tua casa
Cada um com sua moral

Que você possa mandar
No dinheiro que conquistar
E que o dinheiro que ganhar
Não te faça escravizar

Pouco precisamos realmente
Algo pra comer e beber
Roupa limpa pra vestir
E um teto pra dormir

Esqueça toda vaidade
Daqui nada vai levar
Nem bens materiais
Nem as contendas que possa ganhar


Desirée Veloso
Desiveloso.blogspot.com.br


domingo, 16 de julho de 2017

Fim

Sonhei que havia morrido
E senti cada detalhe
Tive um pequeno arrependimento
E a sensação de que tudo terminava
Contrariando minhas crenças uma certeza de finitude
Coisa estranha
Meus pensamentos momentaneamente apagaram
Acordar foi quase um renascimento.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

PONTAL DO PARANÁ

PONTAL DO PARANÁ                                                                           Letra e melodia:
                                                                                                                   Desiveloso
                                                                                                                   Tom: G
                                                                                                                   Tempo 88
                                                                                                                   Voice piano 001
                                                                                                                    Style reggae 66

                                                                                                                   
                                                                                                                  
Sempre que pensar naquele azul
e subir nas nuvens pra pensar
vou lembrar do céu, da praia e o mar
e no tempo sonho divagar

E o sol
Brilhando o sol, o céu azul e o mar.
E o sol, a areia, a Ilha, o sol e o sal do mar

Sempre que voltar ao modo amar
e descer ao vento pra voar
vou levar você dentro de mim
e cantar nas ondas devagar

E o sol
Brilhando o sol, o céu azul e o mar
E o sol, a areia, a ilha, o sol e o sal do mar